segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Resenha: Os Dois Lados de Uma Fera

Kyle Kingsbury tem tudo o que um garoto quer: dinheiro, beleza, popularidade e dezenas de centenas de meninas ao seus pés... Ainda assim, Kyle não se sente bem enquanto não deprecia ou humilha publicamente todo aquele que não cumpre com seu alto estandarte de perfeição.
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Toda essa vida fútil parecia correr às mil maravilhas, até que - como uma brincadeira de mal gosto - o rapaz convida uma estranha garota de sua aula de inglês e a deixa plantada em pleno baile da escola, à mercê da humilhação e do achincalhamento de todos os seus amigos - tão mesquinhos e vazios quanto ele.
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Porém, para a surpresa de Kyle, sua ''acompanhante'' não era uma menina qualquer... Ela na verdade era uma bruxa, e como forma de punição aos seus maus atos, a mesma o castiga com uma estranha maldição - que tranforma o belo e narcisista adolescente em um ser de aparência monstruosa... Uma Besta!
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Apesar de todo infortuno, Kyle ainda tem uma chance de voltar ao normal. Se, no prazo de 2 anos, ele encontrar alguém que ame e que o ame da mesma forma - apesar da aparência - todo o feitiço será revertido, e o velho e elegante arrasa quarteirão voltaria.
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Mas é ai que está o problema: Como alguém tão feio internamente quanto Kyle seria capaz de amar alguém verdadeiramente? E o mais difícil, como ele faria para essa pessoa retribuir o sentimento ainda mais agora com sua aparência Ferina?
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Quem lê a sinopse de Beastly (''Bestial'', em tradução livre) e liga a trama ao conto de ''A Bela e a Fera'' pode ter certeza que não está enganado. Afinal, assim como o clássico infantil, as intenções da autora Alex Flinn ficam totalmente à mostra a partir do momento em que conhecemos a personagem de Kyle - um garoto tão rude e cruel que o leitor chega ao ponto de querer entrar no livro só para socá-lo.
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Porém, ao trazer o ''faz-de-conta'' para o mundo conteporâneo e agitado dos adolescentes do século XXI, a escritora consegue dar novas proporções e nuances para seus personagens e - confesso - para minha surpresa, consegue a incrível façanha de tornar algo que parecia tão velho e batido em um produto novo e moderno, capaz de prender os ''corações mais gelados''.
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Ao escrevê-lo em 1º pessoa e pela perspectiva do garoto popular transformado em Besta, Flinn nos leva a um mergulho estranho e provocativo ao interior do mesmo, conseguindo transformar o ódio em empatia em questão de capítulos - destacando a sua relação com o pai, o começo de sua amizade com aqueles que ele tanto desprezava, a sua mudança de caráter e - é claro - sua relação com Bela... quero dizer, Lindy, uma personagem que desde o começo está presente na trama, mas que só com o tempo percebemos a sua real importância e quem de fato ela representa.
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Outro ponto do livro que merece ter destaque é o espaço dado a bruxa Kendra. Diferente do original, onde a feiticera apenas encanta o jovem príncipe e depois desaparece, neste a personagem ganha, não só um tempo maior na história, como também um final digno - e surpreendente.
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Mesclando o drama cotidiano e atual ao mundo do conto-de-fadas, a autora transforma ''Beastly'' em uma agradável e rápida leitura, capaz de nos fazer refletir sobre os atuais valores presentes na sociedade, sem falar na esperança de se ouvir a antológica frase ''...e eles foram felizes para sempre''.
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ps: A adaptação cinematográfica de Beastly chega aos cinemas em Junho, com Vanessa Hughens e Mary Kate Olsen no elenco.
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TÍTULO: Beastly
AUTOR(A): Alex Flinn
EDITORA: HarperTeen
NOTA: 8,5

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